
Tiziano Galeazzi, residente em Lugano, construiu um percurso que cruza setor financeiro, gestão empresarial, instituições públicas e relações internacionais. Nascido em Lugano, em 1967, desenvolveu carreira na banca e na gestão de ativos, acumulando experiência política e institucional no Cantão do Ticino. É membro do Parlamento cantonal desde 2015, integrou anteriormente o Executivo da cidade de Lugano e integra o Conselho de Administração do Casinò Lugano SA. A sua atuação profissional tem vindo a concentrar-se cada vez mais na ligação entre finanças, empreendedorismo, investimento e criação de redes económicas internacionais.
Em entrevista à Agência Incomparáveis, Galeazzi aborda os princípios que orientam a sua forma de liderar e decidir, o papel do setor privado e das instituições no crescimento económico suíço, as oportunidades de cooperação com Portugal, Brasil e Mercosul e a importância das redes internacionais para empresários e investidores. Fala ainda sobre o papel de Genebra como plataforma global e sobre a participação na nona edição do “Summit Estética – by Lu Pires”, que considera um espaço “capaz de aproximar profissionais, empreendedores e mercados distintos”.
Olhando para o seu percurso profissional, que experiências tiveram maior influência na forma como encara atualmente a liderança e a tomada de decisão?
O meu percurso profissional ensinou-me que a liderança assenta, acima de tudo, na responsabilidade, na credibilidade e na capacidade de tomar decisões mantendo uma perspetiva de longo prazo. A minha experiência na banca, nas finanças e na gestão de ativos ensinou-me disciplina, avaliação de risco e a importância da confiança. A experiência no serviço público acrescentou outra dimensão: compreender as necessidades dos cidadãos, das instituições e da economia em sentido mais amplo. Tive também a oportunidade de estudar e adquirir experiência internacional no estrangeiro, incluindo nos Estados Unidos. Todas estas experiências reforçaram a minha convicção de que uma boa liderança exige abertura, pragmatismo e, sobretudo, capacidade para reunir diferentes pessoas e interesses em torno da mesma mesa.
De que forma a combinação entre setor privado, mercados financeiros, relações institucionais e serviço público o ajudou a compreender o crescimento económico da Suíça?
A força da Suíça resulta de uma combinação entre estabilidade política, instituições sólidas, empreendedorismo, inovação e uma economia orientada para o exterior. Ter trabalhado tanto no setor privado como em instituições públicas permitiu-me compreender os dois lados. As empresas precisam de condições competitivas, acesso aos mercados e instituições eficientes; as autoridades públicas, por sua vez, necessitam de uma economia dinâmica, capaz de gerar investimento, emprego e inovação. Para mim, estes dois mundos não devem estar separados. O diálogo construtivo entre instituições e setor privado é essencial para um desenvolvimento económico sustentável.
Quais são atualmente os seus principais objetivos profissionais e onde identifica oportunidades de cooperação internacional?
Nesta fase da minha carreira, estou particularmente interessado em projetos capazes de ligar finanças, empreendedorismo, investimento e relações internacionais. Atualmente trabalho na área da gestão de ativos e integro o Conselho de Administração do Casinò Lugano SA, paralelamente à minha atividade política no Parlamento do Cantão do Ticino. Vejo potencial significativo em áreas como serviços financeiros, tecnologia e inovação, turismo e hotelaria, imobiliário, saúde e bem-estar, assim como noutros setores em que a Suíça possa combinar conhecimento especializado e capital com iniciativas empresariais internacionais. Tenho um interesse particular na construção de relações económicas mais fortes com mercados que ofereçam oportunidades complementares à Suíça. Brasil, Portugal e a região mais ampla do Mercosul são, seguramente, interessantes neste contexto. É também por essa razão que sou acionista da Finance Crypto Swiss SA, orientada para consultoria B2B e B2C.
Qual é hoje a importância das redes internacionais para os empresários?
São fundamentais. Capital, tecnologia, conhecimento e empreendedorismo circulam cada vez mais além-fronteiras. Mas os negócios internacionais continuam, em última análise, a ser construídos com base na confiança entre pessoas. Uma rede forte não é, por isso, apenas uma coleção de contactos. É a capacidade de ligar as pessoas certas, compreender diferentes culturas e mercados e transformar relações em projetos credíveis. A Suíça está particularmente bem posicionada neste domínio, devido à sua estabilidade, reputação internacional e capacidade para funcionar como ponto de encontro entre diferentes regiões económicas.
Qual é a sua avaliação do “Summit Estética – by Lu Pires” e do papel de eventos deste género?
O que considero particularmente relevante no “Summit Estética” é o facto de ultrapassar o campo específico da estética. O evento cria um ambiente onde empresários, profissionais, investidores e pessoas de diferentes países podem encontrar-se. Muitos projetos importantes começam com uma conversa e com uma relação de confiança. Eventos deste tipo podem, por isso, transformar-se em plataformas de empreendedorismo, inovação e cooperação internacional. A presença de profissionais do Brasil, Portugal, Suíça e de outros países torna esta dimensão especialmente interessante.
Qual é a importância de Genebra como ponto de encontro e que oportunidades identifica entre Suíça, Portugal, Brasil e outros mercados?
Genebra é uma das cidades mais internacionais do mundo e um ponto de encontro excecional para diplomacia, finanças, organizações internacionais e empreendedorismo. Acredito que existe um potencial significativo para reforçar as relações entre Suíça, Portugal, Brasil e a região mais ampla do Mercosul. O próximo passo deve ser ir além dos contactos individuais e criar oportunidades mais estruturadas de diálogo entre instituições, empresários, investidores e decisores económicos. Fóruns empresariais, conferências internacionais e delegações económicas podem desempenhar um papel importante neste processo, porque criam as condições para que as relações evoluam para projetos concretos e parcerias de longo prazo. Neste contexto, acredito que a Suíça, e o Ticino em particular, pode contribuir não apenas através da sua experiência financeira e estabilidade económica, mas também como plataforma de confiança capaz de ligar diferentes mercados. Pessoalmente, estou sempre interessado em participar em iniciativas que promovam um diálogo internacional sério e criem oportunidades concretas de cooperação entre instituições e setor privado.
Afinal, quem é Tiziano Galeazzi?
Tiziano Galeazzi é um profissional suíço da área financeira e político, com mais de três décadas de experiência em banca, gestão de ativos, desenvolvimento empresarial e serviço público. Nascido em Lugano, em 1967, estudou e adquiriu experiência internacional na Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos, onde frequentou a California State University, Northridge, com foco em Marketing e Administração de Empresas. Depois de regressar à Suíça, desenvolveu a carreira no setor bancário e financeiro e, posteriormente, na gestão de ativos. Paralelamente ao percurso profissional, acumulou experiência nas instituições públicas suíças. É membro do Parlamento do Cantão do Ticino desde 2015 e exerceu anteriormente funções no Executivo da cidade de Lugano. O seu trabalho parlamentar inclui atualmente matérias económicas, financeiras e institucionais. Integra também o Conselho de Administração do Casinò Lugano SA. As suas atividades profissionais e institucionais estão cada vez mais orientadas para a criação de ligações entre finanças, empreendedorismo, instituições públicas e redes internacionais de negócios, com particular interesse no desenvolvimento de novas relações entre a Suíça e mercados internacionais, incluindo através da Finance Crypto Swiss SA. ■






