Conselho Regional das Comunidades Portuguesas na Europa exige consulta obrigatória do Conselho das Comunidades Portuguesas sobre novo regime do ensino português no estrangeiro

Estrutura europeia das Comunidades Portuguesas aprovou uma moção dirigida ao Ministério dos Negócios Estrangeiros manifestando preocupação com a ausência de consulta formal ao Conselho das Comunidades Portuguesas no processo de revisão do novo regime jurídico do Ensino Português no Estrangeiro, numa tomada de posição que reclama transparência, participação efetiva e respeito pelos mecanismos legais de consulta

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Foto: divulgação/Redes Sociais Inês Rodrigues Peixoto
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O Conselho Regional das Comunidades Portuguesas na Europa (CRCPE), reunido em sessão anual nos dias 29 e 30 de abril, em Lisboa, aprovou uma moção/carta aberta dirigida ao ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, através da qual manifesta “estranheza” e “preocupação institucional” pelo facto de o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) ainda não ter sido formalmente consultado no âmbito da revisão do novo regime jurídico do Ensino Português no Estrangeiro (EPE), apesar de o Governo já ter assumido publicamente que o diploma se encontra concluído e em fase avançada de apreciação.

No documento aprovado durante os trabalhos anuais do conselho regional europeu, o CRCPE, recentemente assumido na sua Direção por Inês Rodrigues Peixoto (Luxemburgo), começa por recordar o enquadramento legal do próprio CCP, sublinhando que se trata do órgão consultivo do Governo português para as políticas relativas às comunidades portuguesas no estrangeiro e que, em matérias de especial relevância, “é consultado pelo Governo, de forma obrigatória, não vinculativa”.

A moção recorda igualmente declarações públicas de Paulo Rangel, em sede parlamentar, nas quais foi assumido que a proposta do novo regime jurídico do ensino da língua portuguesa no estrangeiro “se encontra finalizada”, estando já em análise conjunta com o Ministério das Finanças e com previsão de negociação com estruturas sindicais.

Perante esse cenário, o CRCPE considera incompreensível que, até ao momento da reunião em Lisboa, o projeto ainda não tenha sido formalmente remetido ao CCP para emissão de parecer, apesar do impacto direto que esta reforma poderá ter junto das comunidades portuguesas, das famílias emigrantes e dos docentes da rede do Ensino Português no Estrangeiro.

Na deliberação aprovada, o conselho regional europeu começa por “registar formalmente a estranheza do CRCPE pelo facto de, tendo sido publicamente referido que o projecto está finalizado e em fase avançada de apreciação interministerial, o CCP ainda não ter sido consultado nos termos legalmente previstos”, pode ler-se no documento.

Entre os pontos centrais da moção, o CRCPE solicita formalmente a Paulo Rangel o envio imediato do projeto de diploma ao Conselho das Comunidades Portuguesas, incluindo toda a documentação técnica associada ao processo. 

Nesse sentido, o órgão pede “o envio imediato ao CCP do projeto de novo regime jurídico do EPE, bem como dos respectivos anexos técnicos, incluindo o calendário de implementação, a estimativa de impacto orçamental e a proposta de modelo remuneratório e de contratação”.

A moção sublinha também que a consulta ao CCP não poderá assumir caráter meramente simbólico ou formal, defendendo que deve existir tempo útil para análise e apresentação de contributos. Por isso, o conselho regional requer que “a consulta ao CCP seja conduzida com um prazo efectivo que permita análise e contributos, e antes de qualquer aprovação final do diploma”.

Outro dos aspetos destacados prende-se com a articulação entre a consulta às comunidades e as negociações em curso com outras entidades. O CRCPE pede ao Ministério dos Negócios Estrangeiros a divulgação de um roteiro claro do processo, incluindo datas, fases e mecanismos de articulação entre o Ministério das Finanças, as estruturas sindicais e o próprio CCP, de forma a garantir transparência institucional.

No mesmo documento, os conselheiros propõem igualmente a realização, “em prazo breve”, de uma reunião técnica entre representantes do CCP, da respetiva comissão temática e do Camões, I.P., com o objetivo de apresentar o projeto e recolher contributos estruturados das comunidades antes da aprovação final da reforma.

A moção aprovada em Lisboa determina ainda o envio formal do documento ao ministro dos Negócios Estrangeiros, ao secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, ao presidente do Conselho Permanente do CCP, Flávio Martins, e à Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, além da sua divulgação pública pelos meios institucionais do CRCPE.

No encerramento do documento, o Conselho Regional das Comunidades Portuguesas na Europa reafirma disponibilidade total para colaborar no processo de reforma, mas deixa uma mensagem clara ao Governo português.

“O CRCPE reafirma a sua total disponibilidade para contribuir, de forma construtiva e tecnicamente informada, para uma reforma do EPE que responda às realidades atuais da emigração portuguesa e às necessidades das famílias, mas considera indispensável que essa reforma respeite os mecanismos de consulta obrigatória legalmente previstos”, conclui a moção.

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