“Portugal é membro fundador da NATO devido aos Açores”, afirma Artur Lima

Vice-presidente do Governo açoriano destacou a centralidade histórica, geopolítica e tecnológica do arquipélago no contexto atlântico e europeu, defendendo uma maior valorização da Região nas instituições europeias e um papel mais ativo das novas gerações na construção do futuro comum europeu

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Artur Lima, vice-presidente do Governo Regional dos Açores, e Inês Domingos (dir.), secretária de Estado dos Assuntos Europeus. Foto: divulgação/Governo dos Açores
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O vice-presidente do Governo Regional dos Açores, Artur Lima, defendeu que os Açores continuam a assumir uma posição estratégica para Portugal, para a Europa e para a estabilidade geopolítica internacional, destacando o papel histórico do arquipélago na afirmação atlântica do país e na segurança do espaço euro-atlântico.

A posição foi assumida durante uma aula aberta promovida, na semana passada, na Universidade dos Açores, subordinada ao tema “Os Desafios dos Territórios no Atual Contexto Europeu”, que contou com a presença da secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Inês Domingos, ocasião em que Artur Lima reforçou a relevância histórica, militar, tecnológica e geoestratégica da Região Autónoma no contexto internacional.

Durante a sua intervenção, o governante açoriano recordou o papel determinante desempenhado pelo arquipélago no período pós-Segunda Guerra Mundial, particularmente no equilíbrio geopolítico entre os blocos ocidental e soviético durante a Guerra Fria: “Os Açores foram absolutamente fulcrais na sua ação e na sua posição geoestratégica para a manutenção da paz no contexto da Guerra Fria. A Região e a Base das Lajes foram fundamentais para a manutenção desse equilíbrio geoestratégico entre o Leste e o Oeste”, afirmou.

Artur Lima foi mais longe ao defender que a própria projeção internacional de Portugal está profundamente ligada à posição atlântica dos Açores: “Também se deve ao arquipélago a importância que Portugal continental tem na Europa e no mundo. Portugal é membro fundador da NATO devido aos Açores. E isso dá-nos orgulho e engrandece-nos”, sustentou.

O vice-presidente destacou ainda as novas dimensões estratégicas do arquipélago, apontando áreas como os cabos submarinos internacionais – nomeadamente os projetos NUVEM e SOL – e o setor espacial como exemplos concretos da crescente centralidade açoriana na segurança tecnológica e nas infraestruturas críticas globais. 

“No passado, fomos centrais e estratégicos para a descoberta do Novo Mundo”, recordou, antes de deixar uma mensagem política clara sobre o futuro da Região: “Os Açores são e serão sempre estratégicos, pelo que a Europa terá de nos valorizar mais”, vincou.

Dirigindo-se aos estudantes presentes na Universidade dos Açores, Artur Lima apelou ainda a uma maior participação cívica e institucional das novas gerações no espaço comunitário: “Temos na Europa um futuro, vocês têm na Europa um futuro”, afirmou, defendendo que os jovens “têm um papel fundamental e devem fazer-se ouvir nas instituições europeias”.

Na reta final da intervenção, o governante regressou à dimensão identitária e histórica do arquipélago, evocando o escritor açoriano Vitorino Nemésio para reforçar a singularidade da posição açoriana no mundo: “Cito Vitorino Nemésio, que dizia ‘a geografia, para nós, vale outro tanto como a história’. E a história e a geografia têm-no provado”, concluiu.

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