“A maioria dos alunos suíços tem ou já teve alguma ligação com o Brasil ou simplesmente são apaixonados pela nossa cultura”

Brasileira com nacionalidade suíça e descendência portuguesa mantém “Escola Forró Samba Zouk” em Genebra

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Ivelone Peter, produtora de eventos e professora de forró no projeto “Forró Samba Zouk”. Foto: krystaphotos
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Ivelone Peter tem 32 anos de idade, conta com nacionalidade suíça, atua como assistente de logística e é técnica assistente administrativa. Além dessas funções, desempenha outras atividades, como produtora de eventos e professora de forró no projeto “Forró Samba Zouk”, em Genebra, cidade suíça onde vive. Sabe que tem descendência portuguesa, porém, “é algo muito distante”. Entretanto, tem também descendência suíça, essa mais presente na sua vida.

“Moro na Suíça desde 2015 e acredito que hoje posso dizer que tenho uma vida estável aqui. A Suíça é um lugar que traz muita segurança, tanto financeira como no sentido de segurança, propriamente dita. Isso é bastante raro e acredito ser uma preciosidade. Porém, o grande desafio aqui é certamente o lado social. Eu venho de um lugar que considero único nesse aspeto, onde as pessoas são extremamente gentis e acolhedoras. Por isso, esse lado foi um grande desafio, principalmente no início”, disse Ivelone, natural de Recife, em Pernambuco.

Atualmente, no país helvético, trabalha numa empresa de reciclagem, na área da logística. Paralelamente, produz eventos culturais de forró e dá aulas de dança. Relativamente à “Escola Forró Samba Zouk”, este projeto está instalado na Escola des Cropettes, próximo à estação Cornavin. As aulas acontecem todas as quartas-feiras. Já os eventos que produz não acontecem sempre no mesmo local, mas são realizados em Genebra.

Sobre a importância da escola para os suíços e para a comunidade brasileira e lusófona local, Ivelone Peter explica a sua visão.

“A maioria dos alunos suíços tem ou já teve alguma ligação com o Brasil ou simplesmente são apaixonados pela nossa cultura. Mas também há alunos brasileiros que vivem aqui. Através do forró, encontram uma forma de manter essa ligação com a música, com a cultura e também com as pessoas, criando amizades”, revelou, sublinhando o perfil dos alunos.

“Há jovens estudantes, jovens adultos e pessoas de meia-idade. Acredito que o ponto em comum entre todos seja o carinho e/ou a nostalgia pela cultura brasileira. O público varia bastante, mas diria que cerca de 35% são brasileiros (muitos com dupla nacionalidade) e os outros 65% são locais, além de alguns latinos e europeus de outros países”, avaliou, sem, entretanto, deixar de mencionar que convive com a comunidade portuguesa e brasileira na Suíça.

“Sim, convivo, principalmente através da comunidade da dança”, frisou.

Ivelone Peter considera que o seu trabalho ajuda a fortalecer esse símbolo forte da cultura brasileira em Genebra.

“Acredito que sim. A cultura brasileira é muito forte e faz parte da nossa identidade. A música e a dança exercem um papel fundamental para manter essa cultura viva”, afirmou, além de comentar que, nesse país europeu, vive com a sua família e que não tem filhos.

Perguntada sobre o que conquistou na Suíça até agora, a nossa entrevistada contou que “tive que refazer a minha formação aqui na Suíça, pois os meus diplomas anteriores não eram válidos. Desde então, conquistei novos diplomas e também bens materiais”.

“Tenho descendência suíça, algo que faz parte da minha história familiar, por isso, sempre tive essa ligação com o país. No Brasil, fiz um ano de faculdade em Negociações Internacionais, e foi nessa altura que comecei a pensar na possibilidade de viver aqui. Mas foi apenas dois anos depois, ao perder um trabalho numa grande empresa devido a cortes de custos, que decidi mudar-me para cá, aos 21 anos”, explicou.

Relativamente ao futuro, “espero que a minha associação de dança cresça e que possamos ter mais eventos e reunir mais pessoas na comunidade”.

“Acho que o coração do imigrante na Suíça vive sempre com saudade. Escolhi morar aqui porque acredito que, nas circunstâncias em que me encontro, vivo melhor aqui. Mas, apesar de ser suíça, ter os meus diplomas e falar fluentemente a língua, ainda enfrento uma xenofobia muito sutil, mas nem por isso menos dolorosa. Hoje vivo uma mistura de sentimentos: gratidão e injustiça”, finalizou Ivelone Peter.

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