
Cerca de 65 mil portugueses emigraram em 2024, menos do que os 70 mil registados em 2023, segundo o relatório “Emigração Portuguesa 2025”, elaborado por Inês Vidigal, Cláudia Pereira, Joana Azevedo, Sofia Vilhena e Rui Pena Pires, investigadores do Observatório da Emigração (CIES-ISCTE-IUL), em articulação com a Rede Migra.
O relatório contou com o apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, do Gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, do Fundo para as Relações Internacionais (FRI) e da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas (DGACCP).
O estudo, que tem como objetivo caracterizar a emigração e a população portuguesa emigrada com base num conjunto diversificado de dados e fontes nacionais e internacionais, analisa informação referente a 2024 e ao período entre 2000 e 2024 (ou últimos anos disponíveis), permitindo compreender a evolução recente e estrutural dos fluxos migratórios.
Após a quebra acentuada em 2020 (45 mil saídas) e a recuperação em 2021 e 2022 (65 mil e 70 mil, respetivamente), a emigração portuguesa entra agora numa fase de desaceleração moderada, com 65 mil portugueses emigrados no ano de 2024, refletindo uma diminuição das entradas de portugueses na maioria dos principais destinos europeus, ainda que com comportamentos diferenciados entre países.
A hierarquia dos destinos mantém-se concentrada na Europa, com a Suíça a liderar em 2024 (12.388 entradas), seguida de Espanha (11.332) e França (8.088). Alemanha (7.410) e Bélgica (5.471) completam o grupo dos principais destinos, confirmando a centralidade da Europa continental nos fluxos migratórios portugueses.
Estes movimentos continuam a refletir uma emigração socialmente heterogénea, envolvendo tanto trabalhadores pouco qualificados como profissionais com formação superior.
Entre os principais destinos, registaram-se aumentos na Alemanha, França e Bélgica, enquanto países como Suíça, Espanha, Países Baixos e Luxemburgo apresentaram quebras.
O Reino Unido, com 2.766 entradas, continua a perder relevância, consolidando a tendência iniciada após o Brexit, com uma redistribuição dos fluxos para outros países da Europa central e ocidental.
Em termos globais, estima-se que cerca de 1,8 milhões de pessoas nascidas em Portugal residam no estrangeiro, o equivalente a aproximadamente 17% da população residente no país, sendo que, no contexto da União Europeia, Portugal está entre os países com maior incidência de emigração, apenas atrás de Roménia, Croácia e Bulgária.
A distribuição geográfica da diáspora confirma a forte concentração europeia, com cerca de 72% dos emigrantes a viverem no continente: França continua a ser o principal país de acolhimento, com quase 600 mil portugueses, seguida da Suíça (204 mil), Estados Unidos (158 mil), Reino Unido (156 mil), Brasil (138 mil), Canadá (133 mil) e Alemanha (115 mil).
Em Espanha, o número de residentes portugueses voltou a crescer em 2024, enquanto na Suíça se tem vindo a observar uma tendência de estabilização após anos de decréscimo.
Do ponto de vista demográfico, o relatório evidencia o envelhecimento das comunidades emigradas, sobretudo nos destinos mais antigos, como França, contrastando com perfis mais jovens em países de emigração recente, como o Reino Unido. Apesar do predomínio histórico de trabalhadores com baixos níveis de qualificação, tem-se verificado um aumento significativo da proporção de emigrantes com ensino superior.
No plano económico, as remessas enviadas pelos emigrantes atingiram 4.295 milhões de euros em 2024, o equivalente a cerca de 1,5% do PIB, com a Suíça e a França a continuarem a liderar como principais origens destas transferências, seguidas do Reino Unido, confirmando o peso da Europa também neste indicador.
Deste modo, o relatório traça um retrato de uma emigração em desaceleração, mas estruturalmente relevante, marcada pela continuidade da centralidade europeia, pela diversificação de destinos e pelo peso significativo da diáspora na sociedade e economia portuguesas. ■




